Circus

Éramos uma e outra vez,
nativos sem uma tribo
caçando, sem emoção,
outro êxito, outra razão.

Números e preços e dados:
éramos escravos do futuro,
oprimidos pela aprovação social,
sufocados pelo limite do normal.

O que fazíamos não tinha sentimento,
não fazia o coração cantar,
e não éramos importantes
ao ponto de brindarmos cada momento:
a riqueza de estarmos aqui, agora,
juntos de verdade.

Até que veio o sinal e os olhos
voltaram a brilhar, e os sonhos,
cansados de esperar, tomaram
a forma, o controle e o seu lugar devido
na liberdade da expressão,
na realidade e no peito aberto,
para o reencontro
com a essência da beleza,
doação.

Somos sombra feitos para dançar na luz,
somos névoa feitos para pintar o vento,
somos baú do tesouro no fundo do mar,
abertos para inspirar os peixes a nadar
como nunca.

Agenda

Pra onde a vida vai?
Qual é a direção
quando parece que tudo
saiu do lugar?
Qual é a sensação
de sentir o mundo
como que a chacoalhar?

Os jovens estão desanimados,
e os velhos, desconsolados
com o resultado
de contas que não fecham,
de sonhos que não chegam
a se realizar,
impedidos por desgovernos,
e por experimentos mortais.

É alto o preço a pagar pela desobediência,
pela confiança em quem muito mais cobiça
do que ama.

Então venha até o fim,
diga sim para quem só conheceu o não
da antiga serpente, a sociedade
que prometeu o direito,
mas exigiu servidão,
e garantiu crueldade.

Resplendor

Quem não quer melhorar de situação?
Subir deste para outro chão
feito de ouro puro e afeição.

Uma porta aberta para o céu,
nosso encontro além do véu,
o sentido concretizado
no sorriso eternizado.

Porque se aqui não é para sempre,
então sempre posso esperar
uma outra realidade
que me espera para nunca passar.

O que estou fazendo?
Para onde estou indo?

Um corpo de carne para aperfeiçoar
o espírito que precisa voltar
ao seu ponto de partida,
levando a alma a um ditoso lugar,
onde a luz nunca falta,
e o mal jamais entrará.

Certezas

Se soubessem o que sinto quando minto,
o aperto no peito, o vazio sem jeito,
entenderiam que preciso ser assim.

Mas deixo que alguns me entendam mal,
porque ser-me-ia sofrimento o ser igual.

Alguns até acham que quero parecer certo,
e óbvio, encontram minhas fraquezas.
Desistam como desisti de bancar o esperto,
e juntos, teremos reverentes certezas.

Vínculo

Que quando formos nos abrir, recebamos compreensão e não comparação. Que quando formos nos abrir com alguém, se este não puder nos sentir, que saiba pelo menos nos ouvir. Que não hajam nem críticas, nem parcialidade. Que não haja condenação, mas lealdade. Que quando formos nos abrir, também possamos ver o outro, e que este esteja se vendo para poder nos ver. Que quando formos nos abrir com alguém, o Ágape esteja presente.