Terra do não

O lado oculto da lua,
o outro lado de um coração:
a razão escapa crua,
o mal diz a verdade em vão.

Melhor a compaixão,
a ternura leva mais além,
mas ninguém ouve
a bondade como atenta
para o empurrão.

A queda está acontecendo,
a mentira está vencendo
e o homem sonhando
de uma prisão
sorri para a ilusão
da sociedade,
como se no passado
não tivesse sido
inundada, queimada
e esquecida
cada civilização.

Grito junto aos despertos:
é tudo um sonho!
E logo nos veremos
na realidade imutável
de tempo intransponível
chamada pelos que dormem
de terra do não.

Vi, ouvi, senti

Vitória, minha vitória
foi a sua gentileza,
foi a sua paciência
comigo,
e hoje
desejo agradecer
por ter conhecido
uma pessoa cordial.

Sua aparente incapacidade de tratar alguém mal
me fez muito bem,
me fez acreditar
em mim, e pensar que foi mesmo um dia especial.

Espero que goste de poesia,
que mantenha a sua alegria
pois a nossa maior vitória
é a glória do firme brilho no olhar,
a história vivida com a sinceridade,
com a bondade de quem só busca amar.

Consolação

Sinto como se todas as portas
estivessem fechadas,
e todos os ouvidos
selados.

Então me pergunto se sou eu,
se não é tudo reflexo
do meu coração.

Será que alguém aqui
pode me ouvir,
pode me amar
por completo?

Se o meu sentido não desagua,
há mágoa e silêncio
na dor de ser
como mudo, surdo e cego,
privado pelo peso
do mundo negado,
do encontro, do conforto
de um abraço contínuo.

Alguém explique tanta solidão,
e se há na morte consolação.

Instrumento

Da próxima vez que me perguntarem se sei tocar algum instrumento, direi que sim: o coração de algumas pessoas. E se me perguntarem que som faz, direi: o som das estrelas, o som da lágrima escorrendo, o som do sorriso, o som da metanoia. E se insistirem, indagando quem pode ouvir estas coisas, responderei: aquele que criou todas estas coisas, o primeiro e o derradeiro poeta.