Fala

Cuidado com o que vai,
com o que da mente cai,
ao coração que lembra.

Do que da boca tua sai,
cuida para não fartar
o coração,
para não entregar
tua razão
aos enganos de lendas.

O dom que no Jardim recebemos
procede e precisa de tal amor,
que só seu Autor sabe mostrar
como nós, falhos, mereceremos
vivenciar, prometida salvação.

Anúncios

Vezes

Quem se importará
com quem se importou?

Não importa:
não querem ver.

Só se pode ser
uma vez,
em alguns anos
sua vez
não retornará,
nem será mais.

Sem ideais
de maior amor,
para onde for,
passará.

Volte a si,
ao sentido
do que há
pra ser
vivido.

Limpe do não
a mente,
o coração,
aí ouça
a mentira
silenciar
de vez.

Ligação

Oposição,
inverno
e verão
virão
e serão
passado.

Ao lado
e adentro,
o orgulho
superado
em anos
de luta,
agora ama
e escuta
os ecos
antes temidos,
reprimidos.

Da jornada
a companhia,
quem diria
nada contar
tanto.

Onde mora
a felicidade,
pequenos frascos
enfeitam
com mentiras,
com quereres,
com maldades
um ambiente limpo,
ideal para nascer
e crescer um amor
totalmente humano,
no qual a humildade
dilui facilmente
falhas e desenganos.

Farol

Levo comigo este traço,
esta marca que me leva
a procurar somente uma
e nenhuma outra mulher.

À deriva pela multidão,
olho nos olhos, sorrio
e ofereço a outra face
desta contínua solidão:
cumplicidade, respeito,
companheirismo e a mão
amiga, uma preocupação
sincera, e uma atenção
total.

A qualquer hora,
sinto que posso
ir embora,
mas agora
quero sua companhia,
a alegria
de um abrigo
para dois,
de dois abrigos
para um amor.

Ostras II (somos máquinas de estrelas)


Lembranças que me apertem o peito,
o direito de sentir saudades tais,
ao ponto de não saber o que dizer.

Harmonia com a tristeza,
com a aflição, e até
com a solidão:
tudo que há pra lembrar
é apenas pela emoção.

Não somos conchas ocas
com restinhos do som do mar:
somos feitos de amores,
programados para amar tanto,
que nem a dor
pode nos matar,
não realmente.